Em meio à maré de candidatos a vereador, era de esperar que eu tivesse amigos entre eles. Pois é: não tenho um, mas vários “irmãos de fé” pleiteantes à Câmara. Talvez seja um sinal de que estou ficando velho; talvez indique, apenas (prefiro esta hipótese) que a democracia está encantando as pessoas cada vez mais cedo.
Fato é que, nos últimos dias, venho sendo convidado para uma série de eventos, regabofes, rodas de samba e cafés da tarde. E não falha: vou, sou recebido com um sorriso ofuscante, ganho abraços da família inteira (até daquela irmã maravilhosa), como e bebo. Requififes totais.
E, quando estou devidamente empapuçado, sou abordado com aquela conversa ao mesmo tempo doce e séria que pede, à meia voz, meu apoio eleitoral. Sim. Na saída, com aquele espírito “vai para o mundo e leva a minha mensagem!”, saio com um pratinho de bolo e os bolsos cheios de santinhos.
Em um encontro, recebi um cavalete, que, no maior apoio, larguei na primeira esquina. “Conto com você!”, escuto. “Ôpa, estamos aí!”, respondo. A mentira é um prazer secreto.
De tudo isso, resta a reflexão de que eu não votaria em meus amigos, até porque só posso eleger um. Em nome, pois, da equidade fraternal, vão todos para o raio que os parta. Isso, sem contar que eu não conseguiria encarar “meu edil” e lembrar dele todo borracho, cambaleando uma polca na saída da Oktoberfest. Apenas, não dá.
Por falar nisso, você já tem candidato? Pois eu conheço um que é sensacional, e que vai fazer um churrasco na próxima sexta-feira...
fonte: gazeta do povo

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